Ana Igansi é mais do que uma autora: é uma voz que pulsa entre os abismos da existência e a luz da superação. Advogada há mais de 30 anos, com atuação sólida na área tributária, construiu sua trajetória entre leis e sentenças, mas foi nas entrelinhas da vida que encontrou sua verdadeira missão: escrever o que o mundo cala.

Filha da dor e da coragem, Ana transformou sua história em literatura viva. Sua autobiografia poética, A Menina do Galinheiro, percorre com delicadeza e brutalidade a infância marcada por traumas, silêncios e resistências, revelando que algumas feridas não se curam: viram livros.

Sua escrita é um encontro entre o humano e o sagrado, o social e o íntimo. Com profunda inspiração filosófica e poética, Ana fala da alma ferida, mas também da alma que resiste. Nas páginas de obras como Enquanto Ainda Estou Aqui, A Alma que Caminha Mesmo Acamada, Depois da Chuva, Vozes de um Brasil que Ainda Resiste e A Voz que Mora no Silêncio, ela acolhe quem sofre, provoca quem lê e dá voz aos invisíveis, idosos, mulheres, sobreviventes, trabalhadores do silêncio.

Sua linguagem é de quem conhece a densidade de Nietzsche, a sensibilidade de Clarice Lispector e a compaixão de Viktor Frankl. É uma autora que carrega em cada livro uma cicatriz depurada em beleza. E em cada verso, uma centelha de esperança.

Combinando rigor técnico, sensibilidade poética e sabedoria filosófica, Ana Igansi escreve para tocar, com elegância, com verdade, com alma. Seus livros não são apenas obras literárias: são atos de resistência afetiva num mundo apressado demais para sentir.

 

“Escrevo porque sobrevivi. E sobreviver é o verbo mais literário que conheço.”
— Ana Igansi

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Simone de Beauvoir

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher.”

O Segundo Sexo (1949)

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

“Querer ser livre é também querer livres os outros.”

“É pelo trabalho que a mulher tem, em grande parte, suprimido a distância que a separava do homem. Somente o trabalho pode garantir uma independência concreta.”

“A opressão que não se percebe é a mais perigosa de todas.”

“A liberdade é o poder que temos de nos transcender.”

“É na experiência de si mesmo que o indivíduo descobre a verdade.”

“Não se nasce gênio, torna-se gênio.”

“Entre o passado que já não é e o futuro que não é ainda, o presente é o momento da liberdade.”

“Viver é envelhecer, nada mais.”

Clarice Lispector – “A hora da estrela”:

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

Clarice traduziu os abismos do feminino e do ser com palavras nuas e incendiárias.

“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar.”

“Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.”

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.”

“Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.”

“O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.”

“Sou uma pergunta. Não sei de quê. Mas continuo perguntando.”

“A palavra é o meu domínio sobre o mundo.”

Viktor E. Frankl – “Em busca de sentido” (1946):

“Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher a sua atitude em qualquer circunstância, escolher o seu próprio caminho.”

Frankl, sobrevivente do Holocausto, nos ensinou que até mesmo na dor extrema há possibilidade de sentido.

Carl Gustav Jung – “O Livro Vermelho” e “Memórias, Sonhos, Reflexões”:

“Aquilo a que você resiste, persiste.”

“Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com a escuridão das outras pessoas.”

Jung mergulhou nas profundezas do inconsciente para revelar a alma em sua totalidade.

Friedrich Nietzsche – “Assim falou Zaratustra”:

“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.”

Nietzsche influenciou diretamente Frankl e a logoterapia, tornando-se um elo filosófico com a psicologia do sentido.

 Hannah Arendt – “A condição humana”:

“O mais radical de todos os males é aquele que reduz o ser humano a algo supérfluo.”

Sua visão política e existencial denuncia o apagamento da dignidade em tempos totalitários.

Albert Camus – “O Mito de Sísifo”:

“Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia.”

Camus enfrentou o absurdo com coragem poética, e com isso, elevou a arte de resistir.

Lya Luft
“O que sustenta a alma é o que se sente, não o que se explica.”

“Ninguém é do outro. O que existe é o encanto do encontro.”

Rollo May – “A coragem de criar”:

“A ausência de sentido é a fonte da ansiedade.”

May, como Frankl, via na coragem uma ponte para atravessar a angústia e transformar o destino.

Virginia Woolf
“Não se pode encontrar paz evitando a vida.”

“Cada um deve encontrar o seu caminho de ser.”

Hannah Arendt
“O mais revolucionário de um tempo é dizer a verdade.”

“Pensar é perigoso, mas não pensar é ainda mais.”

Bell Hooks
“O amor é um ato de vontade — tanto uma intenção como uma ação.”

“Feminismo é para todo mundo.”

Cecília Meireles
“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar sempre inteira.”

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

Mihaly Csikszentmihalyi foi um dos grandes nomes da psicologia contemporânea e pioneiro no estudo da experiência humana plena. Em sua obra-prima Flow, The Psychology of Optimal Experience, ele revelou como alcançamos nossos estados mais criativos, produtivos e felizes: quando estamos totalmente imersos em algo que dá sentido ao momento presente.

Com base em décadas de pesquisa, Csikszentmihalyi nos ensina que viver com propósito é mais do que buscar prazer, é cultivar presença, desafio e envolvimento profundo com a vida.

Quem foi Mihaly Csikszentmihalyi?

• Nacionalidade: Húngaro-americano
• Nascimento: 29 de setembro de 1934
• Falecimento: 20 de outubro de 2021
• Psicólogo e professor na Claremont Graduate University (EUA)
•Considerado um dos fundadores da Psicologia Positiva, ao lado de Martin Seligman.

Mihaly Csikszentmihalyi (pronuncia-se chick-sent-mi-hai) é conhecido mundialmente por seu trabalho inovador sobre felicidade, criatividade, motivação e engajamento, e por ter desenvolvido o conceito de “estado de flow”, uma das descobertas mais relevantes da psicologia moderna sobre como nos sentimos realmente vivos e produtivos.

Qual era o foco de sua pesquisa?

Mihaly investigava o que faz as pessoas sentirem-se verdadeiramente realizadas. Ele descobriu que a felicidade duradoura não vem do prazer instantâneo, mas de estar profundamente envolvido em uma atividade que desafia e desenvolve nossas capacidades ou seja, viver em estado de flow.

Ele entrevistou artistas, músicos, atletas, cirurgiões, cientistas e pessoas comuns, e percebeu que o momento mais satisfatório da vida não está no descanso, mas na imersão ativa e criativa.
Sua Obra-Mestra: “Flow, The Psychology of Optimal Experience” (Título em português: Flow, A Psicologia do Alto Desempenho e da Felicidade)

O que é o Flow?

Flow é um estado mental de total absorção, foco e prazer em uma atividade.

É quando você perde a noção do tempo, esquece de si mesmo e se sente plenamente engajado no que está fazendo, seja escrevendo, dançando, operando, ensinando ou criando.

Características do Estado de Flow

Foco intenso no presente
Equilíbrio entre desafio e habilidade
Clareza de metas
Perda da autoconsciência (o ego se dissolve)
Sensação de controle sobre a ação
Tempo distorcido (passa muito rápido ou muito devagar)
A atividade é sua própria recompensa

Por que isso importa?

Porque, segundo Csikszentmihalyi:

“As melhores experiências não são passivas, mas ativas. O fluxo não vem do consumo. Ele vem da criação.”

Ele defende que é possível cultivar o flow na vida cotidiana, seja no trabalho, nos estudos, na arte, no esporte, ou nas relações. Isso exige consciência, intenção e engajamento.

Aplicações práticas do Flow

• Artistas e escritores: relatam entrar em flow ao criar obras profundas.
• Psicólogos e educadores: usam o conceito para melhorar a concentração, o ensino e a autoestima.
• Atletas e músicos: usam o estado de flow para atingir o “pico de performance”.
• Ambiente de trabalho: empresas como Google e IDEO estruturaram seus espaços com base em facilitar o flow.

Frases marcantes de Mihaly Csikszentmihalyi

“A felicidade não é algo que acontece. Ela é cultivada.”

“As pessoas são mais felizes quando estão em estado de flow, envolvidas em uma atividade que exige total atenção e engajamento.”

“O segredo da felicidade está em encontrar desafios que correspondam à nossa capacidade de enfrentá-los.”

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Crônica – Quando a Alma Se Alinha com o Tempo
Inspirada em Mihaly Csikszentmihalyi

Há um momento em que o mundo deixa de gritar.
Em que o relógio, por compaixão, se curva e se cala.
Não é o silêncio da solidão,
é o silêncio da entrega.

Você já esteve lá?

Num instante em que tudo o que existe é aquilo que se faz —
o pincel que dança,
as palavras que fluem,
o corpo que corre,
a mente que resolve,
a alma que se dissolve.

Ali, o “eu” se desmancha e vira gesto.
O tempo não some — ele se expande.

É quando não há mais separação entre o fazer e o ser.
Você não está escrevendo: você é a escrita.
Não está tocando: você é o som.
Não está pensando: você é o pensamento em si.

Mihaly Csikszentmihalyi deu a isso o nome de flow.
Mas talvez os poetas chamassem de “estado de graça”,
e os místicos de “presença divina”.

O que ele descobriu, entre cientistas e surfistas, entre dançarinos e engenheiros,
é que não é a passividade que nos faz felizes —
mas a intensidade de estarmos inteiros no agora.

Felicidade não é prazer rápido.
É mergulho profundo.
É quando o mundo lá fora não importa tanto quanto o mundo que pulsa dentro.

E se você me perguntar onde se encontra esse estado,
não direi que ele mora num lugar.
Mas sim num hábito:
de fazer com atenção,
de viver com sentido,
de escolher, entre o ruído,
aquilo que desafia sem esmagar,
que exige sem destruir,
que amplia sem tirar a paz.

O flow é o lugar onde a vida sussurra:

“Você está exatamente onde deveria estar.”

E quando isso acontece,
até o silêncio aplaude.

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Simon Sinek é reconhecido mundialmente por transformar a maneira como pensamos sobre liderança, motivação e propósito. Em sua obra inspiradora Start With Why (Comece pelo Porquê), ele revela uma ideia poderosa: os grandes líderes e empresas de sucesso não começam pelo “o quê” fazem, mas sim pelo “porquê” fazem.

Mais do que um livro sobre negócios, é um convite à autenticidade. Sinek nos mostra que encontrar o nosso “porquê” é o primeiro passo para inspirar, engajar e transformar — na vida, na carreira e no mundo. O autor do livro “Comece pelo Porquê” (Start With Why) é Simon Sinek, um dos pensadores mais influentes da atualidade nas áreas de liderança, propósito e comportamento organizacional. O livro, lançado em 2009, tornou-se um best-seller global e é considerado leitura essencial para líderes, empreendedores, educadores e profissionais que buscam inspiração duradoura e resultados sustentáveis.

Quem é Simon Sinek? Simon Sinek é um escritor, palestrante e consultor britânico-americano, mundialmente conhecido por sua palestra no TED Talk:

“How Great Leaders Inspire Action”, uma das mais assistidas de todos os tempos.

Ele é formado em antropologia cultural e desenvolveu sua carreira ajudando empresas, governos e organizações a encontrar um senso mais profundo de propósito.

Suas principais obras incluem:

• Comece pelo Porquê
• Os Líderes Comem por Último
• Juntos Somos Melhores
• O Jogo Infinito

Por que o livro faz tanto sucesso?

 

  1. Apelo universal: A obra toca uma das necessidades humanas mais profundas: o desejo de significado.
  2. Aplicabilidade prática: Serve tanto para grandes corporações quanto para profissionais autônomos.
  3. Impacto emocional: O “porquê” conecta a alma da marca com a emoção das pessoas.
  4. Mudança de paradigma: Revoluciona o modo como pensamos sobre liderança, motivação e influência.
  5. Exemplos marcantes: Simon usa figuras como Steve Jobs, Martin Luther King Jr. e os irmãos Wright para ilustrar seu ponto.

Uma citação emblemática de Simon Sinek:

“Trabalhar duro por algo que não gostamos se chama estresse.
Trabalhar duro por algo que amamos se chama paixão.” (Resumo do Livro “Comece pelo Porquê” – Simon Sinek)

Sobre Viktor Frankl

Em tempos de vazio existencial e busca por sentido, poucos nomes ressoam com tanta profundidade quanto o do psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl, fundador da Logoterapia e sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Sua vida e obra ecoam como um convite à resistência interior, à dignidade da alma e ao reencontro com o propósito — mesmo nas circunstâncias mais sombrias. Frankl nos ensinou que não somos livres do sofrimento, mas somos livres para dar-lhe um sentido.

“Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.
— Viktor E. Frankl, Em busca de sentido

Mini Biografia – Viktor E. Frankl

Viktor Emil Frankl (1905–1997) foi um renomado psiquiatra, neurologista e filósofo austríaco, mundialmente reconhecido como o fundador da Logoterapia, uma abordagem terapêutica centrada na busca de sentido da vida. Sobrevivente de quatro campos de concentração, incluindo Auschwitz, Frankl perdeu quase toda a sua família durante o Holocausto — e mesmo assim, encontrou na dor uma oportunidade de transcendência.

Autor do clássico “Em Busca de Sentido”, publicado em mais de 30 idiomas, Frankl transformou o trauma em testemunho e a dor em filosofia. Para ele, a essência do ser humano está na sua liberdade interior de escolher o significado da própria existência, mesmo diante do sofrimento mais cruel.

Com uma obra que une ciência, espiritualidade e ética, Viktor Frankl segue sendo um farol para todos os que desejam viver com propósito, coragem e profundidade.

Quando a Alma Decide Viver
Por Ana Igansi

Há dores que não pedem licença para entrar. Atravessam o corpo, mas moram mesmo é na alma — naquelas regiões silenciosas onde a linguagem da psiquiatria encontra a urgência da filosofia. Foi ali que Viktor E. Frankl fincou sua lâmpada no abismo e nos disse: “Mesmo em um campo de concentração, o ser humano ainda é livre para escolher o sentido da sua existência.”

Ele não romantizou o sofrimento. Pelo contrário. Frankl nos ensinou que o sofrimento, quando inevitável, pode ser uma oportunidade de transcendência — não porque seja belo, mas porque nos exige coragem para não nos desumanizarmos. Quando tudo ao redor desaba, resta-nos a liberdade de como vamos olhar para isso. E esse é um chamado à grandeza.

Friedrich Nietzsche, em sua angústia grandiosa, já advertia: “Quem tem um porquê, enfrenta qualquer como.” Frankl o escutou — e o viveu. Em meio ao fedor da morte e da humilhação, ele encontrou o “porquê” que nenhuma câmara de gás poderia matar: a convicção de que a dignidade humana não é negociável.

O trauma não é o fim. É um novo território psíquico. C.G. Jung, outro mestre das sombras, afirmava que “não há despertar de consciência sem dor.” A alma, ferida, se reconstrói com argamassa de lucidez e persistência. O que antes nos parecia ruína, um dia pode se revelar como chão fértil.

Rollo May escreveu que “a coragem não é ausência de desespero, mas sim a capacidade de seguir apesar dele.” A coragem que o mundo exige hoje não está no barulho, na pressa, no sucesso tóxico que anestesia feridas. Está no ato heroico de continuar humano diante do desumano. Está no gesto sutil de continuar amando, mesmo tendo sido devastado.

Simone Weil, com sua força mística, dizia que “o sofrimento é a forma pela qual a alma é esculpida.” E a alma, uma vez lapidada pela dor e pela consciência, passa a habitar o mundo com mais profundidade.

Essa crônica é um chamado — não à resignação, mas à resiliência lúcida. Não ao conformismo, mas à superação criativa. Você não precisa negar a dor para sobreviver a ela. Mas precisa encontrar, dentro de si, algo que valha a pena sobreviver.

O mundo está cheio de estímulos que nos puxam para a entrega. Mas os grandes mestres — Frankl, Jung, Weil, Nietzsche, Rollo May — sussurram em nossos ouvidos algo diferente: resista. Dê sentido ao que você viveu. Mesmo que ainda doa. Sobretudo se ainda doer.

E quando pensar que não há mais por onde caminhar, lembre-se: a liberdade última do ser humano está em sua resposta. Não importa o que o mundo lhe deu. Importa o que você faz com isso.

Porque, como dizia Frankl:

“Entre o estímulo e a resposta, existe um espaço. E nesse espaço reside nossa liberdade e nosso poder de escolher nossa resposta. Nessa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade.”

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“Meditações”: o diário de um imperador que filosofava

 

Diferente de obras destinadas ao público, as “Meditações foram escritas para si mesmo, como exercícios filosóficos diários — uma tentativa de alinhar pensamento, palavra e ação.

Marco Aurélio escrevia para manter-se virtuoso, calmo e centrado mesmo em meio ao caos.

 

Princípios fundamentais do estoicismo em Marco Aurélio

  1. Foco naquilo que você pode controlar

“Você tem poder sobre sua mente — não sobre eventos externos. Perceba isso, e encontrará força.”

O estoicismo ensina a distinguir entre o que depende de nós (nossas ações, pensamentos e escolhas) e o que está além do nosso controle (opiniões alheias, destino, morte). Isso gera liberdade interior.

  1. Aceitação serena do destino (amor fati)

“Tudo o que acontece é natural. E o que é natural não pode ser mau.”

Marco Aurélio acreditava que o universo tem uma ordem, e que aceitar o que nos acontece com dignidade é parte da virtude.

  1. A virtude como o único bem verdadeiro

“Não perca tempo discutindo como um homem bom deve ser. Seja um.”

Para ele, a virtude — composta por sabedoria, coragem, justiça e temperança — é o único caminho para uma vida plena. O resto (fama, riqueza, prazer) é passageiro.

  1. A consciência da morte como estímulo para a vida

“Você poderia deixar a vida agora mesmo. Deixe que isso determine o que você pensa, diz e faz.”

A finitude não o assombrava — ao contrário, servia como guia para viver com sentido, urgência e presença.

  1. Autodomínio diante da raiva e da injustiça

“Quando alguém o ofender, pense: ‘Ele é meu irmão na razão e na natureza. Não posso odiá-lo sem ferir a mim mesmo.’”

A raiva, o rancor e o orgulho são vícios que desestabilizam a alma. A paz vem do controle interior, não da punição alheia.

Por que Marco Aurélio é tão atual?

Em tempos de ansiedade, excesso de informação e busca por sentido, Marco Aurélio ressurge como um símbolo de sobriedade, lucidez e humanidade em meio ao poder.

Suas palavras inspiram líderes, terapeutas, escritores e pessoas comuns a viverem com propósito, mesmo quando tudo parece incerto.

Quem foi Marco Aurélio?

  • Viveu de 121 a 180 d.C.
  • Foi imperador romano de 161 até sua morte.
  • Considerado o último dos chamados “Cinco Bons Imperadores”.
  • Seguidor da filosofia estoica, deixou como legado a obra “Meditações”, escrita em grego enquanto enfrentava guerras, crises políticas e perdas pessoais.

Marco Aurélio: O Homem Que Governava a Si Mesmo

_Por Ana Igansi

Há algo de sagrado no silêncio dos que pensam.

Marco Aurélio — imperador de Roma, filósofo estoico, guerreiro da alma — não usava o poder para construir impérios de pedra, mas para domar tempestades invisíveis.

Enquanto comandava exércitos e enfrentava conspirações, sua batalha mais profunda era contra o próprio ego.

Em noites frias de campanha, escrevia.

Não discursos. Não leis.

Mas confissões.

Textos que jamais foram feitos para o público, mas para o próprio coração.

E é exatamente por isso que suas Meditações atravessaram os séculos —

porque nasceram da verdade que só é dita quando ninguém está olhando.

“Você pode deixar a vida agora.

Deixe que isso determine o que você pensa, diz e faz.”

Marco Aurélio não temia a morte porque não temia a vida.

Aceitava o destino como se aceita um irmão difícil: com firmeza, respeito e humildade.

Sabia que não controlamos o mundo — apenas nossas escolhas.

E nelas, dizia ele, mora a única liberdade que importa.

Em tempos em que tudo é imagem e urgência, Marco Aurélio ainda nos ensina a pausa.

Não buscava aprovação, mas coerência.

Não pedia amor, mas fazia-se digno dele.

Não cultivava a raiva, mas a virtude.

“A felicidade depende da qualidade dos seus pensamentos.”

Talvez por isso sua influência seja eterna.

Porque nos convida não a sermos grandes aos olhos do mundo,

mas íntegros aos olhos da consciência.

Hoje, sua voz ecoa onde há excesso de ruído.

Lembra-nos que entre o impulso e a resposta existe um espaço —

e que nesse espaço, vive a sabedoria.

Marco Aurélio não foi apenas um imperador.

Foi o reflexo de um mundo que ainda pode ser possível

— aquele em que o poder não corrompe, mas purifica.

Aquele em que o pensamento não adorna o discurso,

mas sustenta a vida.

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Marco Aurélio

Talvez o mais poderoso gesto de Marco Aurélio tenha sido não o de empunhar a espada, mas o de recolher-se ao silêncio todas as noites para escrever. Entre uma batalha e outra, entre decretos e traições, sentava-se com sua alma e, diante de si mesmo, era apenas homem. Imperador de Roma, sim — mas súdito da razão e da virtude.

Num mundo que cultua imagens e ruídos, ele escolheu meditar em silêncio, onde ninguém aplaude, ninguém julga — e é ali que o verdadeiro caráter se revela. Seus escritos, reunidos no livro Meditações, não foram destinados ao mundo, mas ao próprio coração. E talvez por isso tenham atravessado os séculos: porque nasceram da verdade interior, e não do desejo de impressionar.

Marco Aurélio não fugia da morte — conversava com ela.

“Você pode deixar a vida agora. Deixe que isso determine o que você pensa, diz e faz.”

Essa consciência do efêmero não o tornava trágico, mas lúcido. Ensinava que tudo que é externo — glória, fortuna, aplauso — é frágil demais para sustentar uma vida. Por isso, ele se voltava ao que não pode ser arrancado: a integridade, o autocontrole, a coerência entre o que se pensa e o que se pratica.

Hoje, mais de mil e oitocentos anos depois, Marco Aurélio nos devolve uma lição esquecida:

o domínio mais difícil e mais necessário é o de si mesmo.

Quantos de nós têm tempo para refletir sobre a própria conduta?

Quantos de nós sabem perder sem ressentimento, vencer sem soberba e servir sem humilhação?

Ele, que poderia ter erguido estátuas de si mesmo por todo o Império, preferiu cultivar humildemente a ideia de que somos parte de um todo,

e que tudo o que nos acontece já é, em si, natural e necessário.

Não buscava conselhos em oráculos, mas na razão.

Não combatia o mal com ódio, mas com exemplo.

Não implorava pelo amor dos outros — fazia-se digno dele, mesmo que em silêncio.

“A felicidade depende da qualidade dos seus pensamentos.”

E assim, na solidão das noites frias da campanha militar, escrevia como se conversasse com o universo.

Não era preciso que Roma o compreendesse. Bastava que ele fosse fiel à própria consciência.

Hoje, quando o mundo nos ensina a correr, gritar e competir, Marco Aurélio ainda nos ensina a parar, calar e refletir.

E, com isso, talvez sejamos mais humanos — e mais inteiros.

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Conhecer Aristóteles é entrar em contato com uma das mentes mais poderosas e influentes da história da humanidade. Filósofo grego do século IV a.C., ele moldou não apenas a filosofia, mas também a ciência, a ética, a política, a lógica e a arte por mais de dois milênios. Seu pensamento é uma fundação sobre a qual todo o Ocidente construiu o seu modo de pensar.


Quem foi Aristóteles?

•Viveu de 384 a.C. a 322 a.C.
•Foi aluno de Platão e tutor de Alexandre, o Grande
•Fundador do Liceu, sua própria escola filosófica em Atenas
•Escreveu mais de 200 obras (nem todas sobreviveram), abrangendo quase todas as áreas do conhecimento da época
•Pai da Lógica Formal, sistematizou o pensamento dedutivo e introduziu o conceito de silogismo

Por que Aristóteles é tão importante?

Aristóteles não apenas pensava sobre o mundo — ele buscava entendê-lo a partir da experiência concreta. Enquanto seu mestre Platão se concentrava no mundo das ideias, Aristóteles se voltou ao mundo real: o visível, o natural, o palpável.

Ele ensinava que:
“O ser humano é um animal racional.”

E acreditava que a felicidade (eudaimonia) só é alcançada através da realização da nossa função essencial: a razão em ação.

Principais áreas do pensamento aristotélico
Lógica
Foi o primeiro a formalizar regras do pensamento.
Criou o silogismo, uma estrutura de raciocínio dedutivo:

“Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.”

Sua lógica dominou o pensamento ocidental até o século XIX.

Física e Metafísica
Aristóteles acreditava que tudo tem uma causa e um fim:
•Causa material – do que é feito
•Causa formal – o que é
•Causa eficiente – quem faz
•Causa final – para que serve

“Nada existe em vão; tudo tem uma finalidade.”

Ética
Escreveu a célebre Ética a Nicômaco, onde desenvolveu a ideia de:
•Virtude como hábito (não é inata, mas construída)
•A justa medida entre extremos (exemplo: coragem é o meio entre covardia e imprudência)
•A busca pela felicidade plena (eudaimonia) como fim último da vida

“Somos o que fazemos repetidamente.
A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”

Política
Acreditava que o ser humano é um animal político (zoon politikon), ou seja, precisa viver em comunidade para se realizar plenamente.

Via a pólis (cidade) como o ambiente natural da vida ética e racional.

“O bem do indivíduo está subordinado ao bem da coletividade.”

Poética e Retórica
Foi o primeiro grande teórico da arte e do discurso:
•Na Poética, analisa a tragédia, o drama, o efeito da catarse
•Na Retórica, ensina como convencer com base em três elementos:
•Ethos (caráter)
•Pathos (emoção)
•Logos (razão)

Frases marcantes de Aristóteles

“A amizade é uma alma em dois corpos.”

“A educação é o melhor provimento para a velhice.”

“O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”

“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.”

“A esperança é o sonho do homem acordado.”

Poema – “O Meio da Alma”
(por Ana Igansi – Inspirado em Aristóteles)

No entrelaçar dos extremos, vive a alma em equilíbrio,
nem tão fria como a omissão,
nem tão ardente como o excesso.
Aristóteles sussurra do tempo antigo:
a virtude é o caminho do meio —
não o mais fácil,
mas o mais inteiro.

Não há nobreza sem hábito,
nem excelência sem esforço.
A grandeza não nasce nos feitos isolados,
mas na constância silenciosa de ser.

“Somos o que fazemos repetidamente.”
Assim, o justo se constrói no gesto,
o sábio no silêncio,
e o bom — no intervalo entre a vontade e a ação.

A felicidade, dizia ele,
não se encontra nos prazeres passageiros,
mas no ato de realizar a própria essência.
Éudaimonía — esse estado raro e pleno
em que o espírito se alinha com o que veio ser.

No mundo das formas, ele via matéria.
No mundo das palavras, via lógica.
No coração humano,
via política, poesia, justiça,
e a beleza de um pensamento bem articulado.

No fim, Aristóteles não ergueu templos,
mas princípios.
Não nos deixou dogmas,
mas perguntas.

E é por isso que ainda caminhamos com ele —
pelos corredores do tempo,
buscando a justa medida de nós.

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O Sopro de Aristóteles: Quando a Vida é um Hábito de Ser Inteiro

Por Ana Igansi

Há nomes que o tempo não apaga — não porque gritaram alto, mas porque pensaram fundo.

Aristóteles é um desses nomes.

Filósofo de hábito e reflexão, escreveu quando o mundo ainda era mitológico demais para confiar na razão.

E, mesmo assim, ele ousou.

Ousou olhar para o homem como quem decifra um espelho.

Aristóteles não esperava que os deuses resolvessem a dor do mundo.

Preferia a humildade do gesto cotidiano.

Acreditava que a grandeza não se vê em atos heroicos, mas na constância do caráter.

Somos o que fazemos repetidamente”, ele disse — e nos condenou, com doçura, à responsabilidade de sermos quem escolhemos ser.

Hoje, quando tudo nos convida ao imediatismo, Aristóteles nos convida à permanência.

Quando o mundo exige performance, ele sussurra: “Seja ético.”

Quando a sociedade cobra brilho, ele responde: “Seja justo.”

E quando nos perdemos tentando ser tudo, ele nos devolve o essencial:

A excelência não é um dom.

É um hábito que nasce do coração que escolhe ser inteiro.

Para ele, a felicidade não é o prazer que passa,

mas a vida que permanece no eixo, mesmo quando tudo gira ao redor.

É a alma em harmonia com o que ela nasceu para ser.

Não há euforia nisso — há lucidez.

Aristóteles ensinava que cada ser tem uma finalidade.

O pássaro canta, o rio corre, a árvore cresce.

E o ser humano?

— O ser humano pensa, age, ama, constrói sentido.

E só será feliz quando viver à altura do que pode ser.

A ética, a política, a amizade, a arte — tudo, para ele,

era parte de um mesmo tecido:

a tentativa de costurar, no mundo, a dignidade de existir com verdade.

Por isso ainda o lemos.

Por isso ele ainda fala.

Aristóteles não inventou um sistema para nos prender.

Ele abriu portas para que aprendêssemos a viver com consciência —

mesmo que em silêncio,

mesmo que sem aplausos.

Porque viver bem, no fim, é fazer da vida uma escolha deliberada —

não para ser admirado,

mas para não se trair.

E talvez seja por isso que, milênios depois, seu sopro ainda nos alcança.

Quem foi Tom Lubbock?

  • Foi crítico de arte para The Independent e The Independent on Sunday.
  • Em 2008, foi diagnosticado com um câncer cerebral agressivo (glioblastoma) e informado de que sua expectativa de vida seria limitada.
  • Consciente do impacto da doença, Lubbock optou por não se isolar — ficou com a família e compartilhou suas reflexões, mesmo até perder a capacidade de falar e escrever The Guardian+1Wikipedia.

Sua obra e legado

Embora não tenha publicado uma autobiografia formal em vida, Lubbock escreveu sobre sua própria condição para jornais como The Guardian. Seu estilo humano e reflexivo, misturando arte, linguagem e vulnerabilidade, culminou em uma narrativa intensa sobre o que acontece quando as palavras começam a falhar e o tempo se esgota The Guardian.

Após sua morte, Marion Coutts, sua esposa, publicou The Iceberg (2014), onde reúne fragmentos, reflexões e registros dos últimos anos de Tom — um testemunho poético e devastador da experiência humana diante do fim Wikipedia.

Por que a história deles é tão poderosa?

  • Vulnerabilidade exposta, ao registrar pensamentos íntimos diante da finitude.
  • Decisão consciente de estar presente, não se esconder ou fugir, mas despedir-se com dignidade.
  • Transcendência literária: Tom transformou seu sofrimento em algo que fala à vida de todos nós, mesmo sem títulos ou capas convencionais.

Aqui está a tradução dos trechos mais marcantes do artigo escrito por Tom Lubbock, publicado no The Guardian em 7 de novembro de 2010, intitulado:

“When words fail: Tom Lubbock on living – and dying – with a brain tumour”
(“Quando as palavras falham: Tom Lubbock sobre viver – e morrer – com um tumor cerebral”)

Trechos traduzidos – Tom Lubbock

  1. O começo do fim

“Tenho um tumor cerebral. Um glioblastoma multiforme. É grande, do lado esquerdo do cérebro.
Foi descoberto em setembro de 2008. Tive uma convulsão violenta na madrugada e fui levado às pressas ao hospital.
O prognóstico é ruim.”

  1. O lugar onde as palavras moram

“O tumor está crescendo lentamente – mas está no hemisfério esquerdo, onde se localiza a linguagem.
A ironia: sou escritor, editor, crítico. Trabalho com palavras.
E agora estou sendo gradualmente separado da minha ferramenta.”

  1. A perda da linguagem

“Não é como esquecer palavras.
É como se a própria capacidade de formar frases se fragmentasse.
Ainda consigo pensar, raciocinar, lembrar…
Mas descrever? Nomear? Compor uma sentença? Tudo escapa, como água entre os dedos.”

  1. Estar presente no fim

“Poderíamos ter ido embora, viajado, fugido.
Mas escolhi ficar.
Ficar com minha esposa, Marion, e com nosso filho pequeno.
Escrever enquanto posso.
Observar o que acontece com a mente quando ela perde o que lhe é mais essencial.”

  1. O absurdo e a beleza

“As pessoas dizem: ‘Seja forte’.
Mas isso não tem sentido.
Você não é forte por querer.
O que resta é viver com o que se tem, com dignidade, com humor se possível.
O que resta é amor.”

  1. O silêncio final

“Logo não poderei mais escrever. Nem falar.
A mente continua lúcida, mas isolada.
Como se estivesse trancado do lado de dentro.
É um tipo de morte em vida.
E ainda assim… vejo beleza. Ainda escuto música.
Ainda sinto quando minha esposa segura minha mão.”

Comentário final

Tom Lubbock não escreveu para comover. Ele escreveu para resistir ao esquecimento, para dizer até o último instante quem ele era — mesmo quando as palavras começaram a traí-lo. Sua lucidez diante da morte é um dos relatos mais humanos, sensíveis e verdadeiros já escritos.

Crônica – Quando a Palavra Vai Embora, Mas a Alma Permanece

Há silêncios que não são ausência.
São resistência.

Tom Lubbock era um homem de palavras.
Vivia delas. Respirava entre vírgulas e ideias.
E, de repente, descobriu que o lugar onde as frases nascem estava morrendo.
Um tumor – agressivo, silencioso – alastrava-se pelo hemisfério esquerdo do seu cérebro,
como se o destino tivesse escolhido o ponto mais irônico para começar a apagar sua voz.

Mas ele não fugiu.
Não foi para a ilha.
Não pegou aviões com a esposa para colecionar pores do sol.
Ele ficou.
Ficou para despedir-se lentamente — com amor e presença.

“Logo não poderei mais escrever. Nem falar. A mente continua lúcida, mas isolada. É um tipo de morte em vida.”

É nesse trecho que o coração aperta.
Não porque é trágico, mas porque é real.
A lucidez presa no corpo.
O pensamento sem ponte.
A consciência olhando a própria queda sem se render.

E mesmo assim…
Ele não escolheu o desespero.
Escolheu o filho. A esposa.
Escolheu o tempo que restava — não para viver como antes, mas para viver até o fim com sentido.

E há algo de profundamente humano nessa decisão.
De não buscar o extraordinário fora, mas o essencial dentro.
De fazer do quarto uma trincheira de ternura.
De transformar o cotidiano em eternidade.

Tom não morreu com as palavras.
Ele morreu entre elas.
Morreu escrevendo.
E, mais do que isso:
viveu traduzindo o inominável — o fim.

Seus relatos são fragmentos de lucidez diante do abismo.
São lembretes de que viver não é prolongar os dias,
mas dar a eles a dignidade de um propósito, mesmo quando tudo parece falhar.

E talvez seja essa sua maior herança:
mostrar que o amor e a verdade resistem até quando a voz some.
E que é possível morrer como se escreve um último parágrafo:
com leveza, com presença e com alma inteira.