
A Menina do Galinheiro – Parte I
Um grito silencioso que pede cuidado
Ela tinha apenas três anos.
Três anos de idade.
E já sabia o que era sentir medo do toque.
Já conhecia o abandono nos olhos de quem devia proteger.
Já havia aprendido — no instinto mais puro da alma — a fugir e se esconder.
Seu abrigo? Um galinheiro.
Enquanto outras crianças brincavam no colo da mãe, ela encontrava refúgio entre penas, palhas e galinhas.
Ali, onde ninguém a via, ela se escondia de tudo que era grande demais para sua pequena existência: a ausência do pai, o silêncio cúmplice da mãe, os olhos do avô — que nunca deveriam ter se voltado para ela daquele jeito.
Ninguém a escutava.
Ninguém a procurava.
Ninguém percebia que ela estava aprendendo sozinha o que nenhuma criança deveria saber:
que o mundo pode ser um lugar frio, cruel e indiferente à dor infantil.
Mas no meio da poeira e do descaso, algo resistia.
A menina, calada, criava mundos com as palavras.
Encontrava nos livros a ternura que a vida lhe negava.
Descobria que era possível voar sem asas, e que entre galinhas também nascem sonhos.
Esse livro não é apenas a história de uma infância ferida.
É um alerta.
É um apelo.
É um espelho.
Quantas meninas do galinheiro vivem hoje ao nosso redor — em silêncio, com fome de afeto, escondidas sob o véu da negligência cotidiana?
Esta obra é um chamado coletivo à consciência.
Ao dever de olhar, ouvir, proteger.
Porque uma criança que precisa se esconder para sobreviver…
É uma sociedade inteira que adoece por não saber acolher.
E como escreveu Clarice Lispector:
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
Essa menina desejava apenas o básico: ser amada. Ser protegida. Ser vista.
E talvez, ao conhecê-la, você também se veja.
Ou veja alguém que ainda pode ser salvo.








